5 dicas para otimizar a edição no Final Cut Pro X

Marcelo Ferraz

1) Trabalhe com mídias externas

Ao contrário dos outros programas de edição, o Final Cut X tem duas formas de gerenciar mídias, e entender isso é fundamental para trabalhar da melhor maneira.
Vamos lá:

A estrutura de funcionamento do Final Cut tem três elementos básicos: a Biblioteca, os Eventos e os Projetos.

 organizacao 2
A Biblioteca é o primeiro item na hierarquia e, apesar de aos nossos olhos parecer um arquivo único, na verdade é uma espécie de super pasta: uma pasta contendo dezenas de outras pastas, que são enxergadas apenas pelo Final Cut (pense numa espécie de arquivo .zip).
Ao importar material, temos duas opções:
LEAVE FILES IN PLACE
Leave files in place: o Final Cut registra, dentro da Biblioteca, a localização dos arquivos onde quer que estejam (um HD, um local de rede, etc.). É apenas um registro, um “lembrete” de onde aqueles arquivos estão. As mídias permanecem onde o editor as colocou, cabendo a ele tomar conta da organização através do Finder. É a forma tradicional como outros softwares trabalham (Adobe Premiere e Final Cut 7, por exemplo).
 
Copy files to library: esta forma de importação é específica do Final Cut X. Ao selecionar esta opção, o Final Cut cria duplicatas exatas dos arquivos originais, e as copia para dentro da Biblioteca (lembra que a Biblioteca é um conjunto de pastas?). Uma vez que estas mídias passam a habitar dentro da Biblioteca, seu gerenciamento deve ser feito usando o Final Cut. O termo da Apple para elas é “mídias gerenciadas” (managed media).
 
midias-gerenciadas-e1512606776786.png
Obs.: Não confunda este processo de importação com o transcoding, a conversão para outros formatos/CODECs. O Copy Files to Library é, realmente, uma cópia do material original, sem modificações. Mais à frente falaremos um pouco do transcoding no FCPX.
 
O ideal, na maioria dos casos, é usar a opção “Leave Files in Place”, uma vez que não cria duplicatas das mídias, o que poderia ocupar um considerável espaço de armazenamento. Não se esqueça que cabe a você, o editor, cuidar do gerenciamento destes dois elementos: a Biblioteca e as mídias. Caso transfira a Biblioteca para outro computador, lembre-se também de levar as mídias associadas a ela.
 
(num futuro tutorial exploraremos a fundo o gerenciamento das bibliotecas, falando sobre quando usar a opção Copy to Library).
 
 

2) Otimize somente o material da timeline

– um pouco de teoria –

Otimizar é o termo usado no Final Cut para o processo de transcoding, que nada mais é que a conversão das mídias de um formato ou CODEC para outro.
GLOSSÁRIO:

Formato (também conhecido como container): é a "cara" do arquivo, 
representada pela terminação. mp4, mov, mp3, avi, etc.

CODEC: é a fórmula matemática responsável pela compressão do vídeo 
(e, consequentemente, sua qualidade e tamanho de arquivo)
Fazemos essa conversão para que a edição possa correr de forma mais leve. O Final Cut lida com uma infinidade de formatos e CODECS de vídeo. Entretanto, há CODECs mais indicados para captura (aqueles usados por nossas câmeras, como o H.264), e CODECs indicados para edição. Estes últimos são muito mais leves, exigindo menos trabalho por parte do processador dos computadores.
No Final Cut este CODEC mais leve usado na edição é o Apple ProRes.
 TRANSCODIFICACAO

– na prática –

É possível otimizar mídias durante a importação ou a qualquer momento, bastando selecionar as mídias no browser, clicar com o botão direito do mouse e escolher Transcode Media.
menu transcode media
Aqui mostramos uma solução mais “elegante”, que vai otimizar somente os clipes usados na timeline, poupando um precioso espaço no HD.
A) Clique com o botão direito do mouse no browser de bibliotecas e escolha New Smart Collection (ou digite o atalho Option+Command+N).
B) Selecione a  smart collection criada, pressione ENTER e renomeie-a para “USADOS”. Pressione ENTER novamente para fechar a edição do nome
C) Dê um duplo clique sobre a smart collection USADOS. Na caixa que se abre, clique no sinal de “+” acima à direita. Escolha a opção USED MEDIA. Feche a caixa de diálogo.
D) Selecione a smart collection USADOS. Somente os trechos presentes na timeline aparecerão no browser.
E) Selecione os trechos que aparecem no browser (ou tecle command+A). Clique com o botão direito sobre a janela do browser e escolha Transcode Media… O Final Cut vai converter somente o que está na timeline.
 
Não deixe de ler este nosso artigo, que detalha ainda mais o processo de otimização da timeline.
Lembre-se: no Final Cut só temos uma sequência por vez aberta na timeline. Para otimizar as mídias de outras sequências, basta abrir seus projetos e seguir os itens D e E do procedimento acima.

3) Use um HD externo (ou um segundo HD interno)

Essa dica é bem rápida.
Deixe que o HD interno de sua máquina se preocupe com o sistema operacional e com o Final Cut.
Mídias e Bibliotecas podem ficar em um HD externo, sem perda de eficiência. Na verdade o trabalho tende a melhorar, pois o HD externo libera recursos da máquina, fazendo tudo andar melhor. Só lembre de cuidar bem do seu HD, uma vez que todas as mídias e edições estarão ali dentro!

E…faça…BACKUPS!!!!!!!!

Abaixo, um exemplo de como eu organizo meus trabalhos em um HD. “Filme” é o nome do job. Crio uma pasta para as bibliotecas deste job e outras pastas acessórias, que podem ser em maior número, dependendo de outros elementos que o trabalho exija.
 estrutura finder fcpx

4) Ative a opção Better Performance nas opções de Playback

Quando estiver trabalhando com material de maior resolução ou com CODECs mais pesados, vale ativar a opção Better Performance, que fica ao lado da janela Viewer.
BETTER PERFORMANCE VALENDO
Os vídeos passarão a ser exibidos com resolução reduzida, mas boa o suficiente para editar. Quando o playback não for mais tão importante (momento de trabalhar cor, efeitos e titles, por exemplo), retorne para a opção Better Quality.

5)  Ao terminar um trabalho, limpe a Biblioteca

– a teoria –

Uma vez que seu trabalho de edição tenha sido entregue, é hora de arrumar a casa. Assim como em nosso ambiente de trabalho, ao finalizar uma edição existem materiais que não precisamos guardar.

Os arquivos de render, mídias otimizadas e mídias proxy (das quais não falamos neste post), podem ser recriados pelo Final Cut a qualquer momento. Por isso, não vale a pena guardá-los quando desejamos arquivar uma biblioteca. (Estes arquivos ocupam um espaço muito grande, pelo fato usarem o CODEC Apple ProRes; é o preço a se pagar por um CODEC leve para a edição).

 

– na prática –

O processo de limpeza de bibliotecas no Final Cut X é extremamente simples:

1) Selecione a Biblioteca que deseja limpar

2) Em File, escolha Delete Generated Library Files

3) Selecione as caixas:

Delete Render Files, All, Delete Optimized Media e Delete Proxy Media

Delete-Generated-Library-Files

4) Clique OK

Mesmo que você não tenha criado mídias Optimized e Proxy, não há problemas em marcar as opções.

Você pode acompanhar a mudança de espaço de armazenamento selecionando a biblioteca, abrindo o Inspector (atalho: command + A), e clicando na aba “i”, de informações. A mudança no tamanho da biblioteca após a limpeza é realmente impressionante!

library size

Após limpar a biblioteca, feche-a clicando com o botão direito do mouse e selecionando Close Library. Este passo é importante, uma vez que o Final Cut vai começar a gerar novos arquivos de render automaticamente, voltando a ocupar espaço no HD.

Autor: falandofinalcut

Editor de vídeo. Entusiasta de todo tipo de criação audiovisual. É pra aprender que estamos por aqui.

2 comentários em “5 dicas para otimizar a edição no Final Cut Pro X”

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